[ABRHidro - V END / II EBHE] - Ciência, experiências e conhecimento

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Fortaleza reúne ciência, experiências e conhecimento no V END e II EBHE, que seguem até 30 de outubro

Com início marcado por visitas técnicas, conferência internacional, apresentações científicas e debates sobre riscos de desastres, encontros promovidos pela ABRHidro fortalecem a integração entre pesquisa, gestão pública e sociedade.

Fortaleza (CE) é, nesta semana, um importante ponto de encontro da comunidade brasileira de recursos hídricos. Desde segunda-feira, 26 de outubro, a capital cearense recebe o V Encontro Nacional de Desastres (END) e o II Encontro Brasileiro de Hidrologia Estatística (EBHE), realizados pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro), por meio das Comissões Técnicas de Desastres e de Hidrologia Estatística.

Com programação até sexta-feira, 30 de outubro de 2026, na Universidade Christus, os encontros reúnem pesquisadores, professores, estudantes, profissionais, gestores públicos e representantes de instituições brasileiras e internacionais.

Os primeiros dias vêm sendo marcados por uma agenda intensa de conhecimento, conexões e intercâmbio técnico-científico. As atividades reafirmam a importância de aproximar a pesquisa acadêmica das experiências práticas e dos desafios enfrentados pelos territórios, especialmente em um cenário de eventos climáticos extremos, pressão sobre os recursos hídricos e necessidade de ampliar a capacidade de prevenção e resposta a desastres.

Primeiro dia aproximou participantes das experiências de gestão hídrica do Ceará

A programação teve início na segunda-feira, 26 de outubro, com visitas técnicas de campo, proporcionando aos participantes uma aproximação direta com iniciativas estratégicas de monitoramento, infraestrutura e gestão das águas no Semiárido.

Entre os roteiros disponibilizados estiveram a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (COGERH) e o Açude Banabuiú, associado ao Projeto Malha d’Água.

As atividades contemplaram diferentes dimensões da gestão hídrica: produção e interpretação de informações climáticas, monitoramento, operação de reservatórios, planejamento dos usos da água, infraestrutura de abastecimento e segurança hídrica.

Ao conectar conhecimento científico e aplicações reais, as visitas evidenciaram como a experiência do Ceará pode contribuir para debates nacionais sobre convivência com a escassez, desenvolvimento regional e adaptação às condições climáticas.

 

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Abertura oficial ampliou debate entre engenharia, ciência e sociedade

Na terça-feira, 27 de outubro, a programação científica ganhou força com a solenidade de abertura, conferências, sessões de apresentações orais e pôsteres, além de espaços de relacionamento entre os participantes.

Um dos destaques foi a conferência internacional de Murugesu Sivapalan, professor da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, que abordou o tema “Bridging Engineering and Society in Water Management: Lessons from Socio-hydrology”.

A apresentação trouxe ao centro da discussão a relação entre sociedade, engenharia e gestão das águas, destacando a importância de compreender as interações entre sistemas hídricos e comunidades humanas na construção de soluções mais efetivas.

O dia também reuniu pesquisas e experiências relacionadas à modelagem hidrológica, precipitações extremas, previsão de cheias, monitoramento e sistemas de alerta, entre outras abordagens relevantes para a gestão de riscos.

Na programação, o Papo Extremo 01, dedicado à Gestão de Risco de Movimentos de Massa, contou com Gean Paulo Michel, da Universidade Federal Fluminense, e Giovanna Capparelli, da University of Calabria, ampliando o diálogo sobre prevenção e desafios associados a desastres. A pauta da diversidade, inclusão e acolhimento também teve espaço específico, reforçando a importância de tornar o ambiente científico mais plural, representativo e acessível.

 

Quarta-feira destacou redução de riscos, memória científica e produção de conhecimento

Nesta quarta-feira, 28 de outubro, o END/EBHE prosseguiu com uma agenda voltada à integração entre diferentes perspectivas da ciência, da gestão e da participação social.

A Mesa-Redonda 01, dedicada ao professor Francisco de Assis de Souza Filho, trouxe o tema “Estratégias para Redução dos Riscos de Desastres: integrando conhecimento científico, ciência cidadã e conhecimento local”.

Coordenada por Pedro Luiz Borges Chaffe, da Universidade Federal de Santa Catarina, a atividade reuniu Rachel Trajber, do CEMADEN; Salvatore Grimaldi, da Università degli Studi della Tuscia, na Itália; e Ticiana Marinho de Carvalho Studart, da Universidade Federal do Ceará.

A programação também reservou um momento de homenagem ao professor Assis Filho, ex-presidente da ABRHidro na gestão 2008–2009. Um vídeo exibido durante o evento resgatou sua trajetória, sua dedicação à ciência e à formação de pessoas, assim como a contribuição que deixou para a gestão das águas e para a sociedade, para além dos espaços universitários.

A homenagem reafirmou uma dimensão essencial da missão da ABRHidro: reconhecer e preservar os legados que ajudam a construir o conhecimento científico e inspiram novas gerações.

Outro destaque da quarta-feira foi o lançamento da obra “Atlas de Risco a Inundações da Região Sul”, no estande da ABRHidro, em atividade com o superintendente de Operações e Eventos Críticos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Joaquim Gondim, sob coordenação de Pedro Chaffe, diretor de Publicações da Associação.

As sessões de trabalhos científicos e pôsteres também integraram a agenda, ao lado do Papo Extremo 02, sobre Gestão de Risco de Cheias, com Aldo Fiori, da Roma Tre University, e Priscilla Macedo Moura, da UFMG.

 

Programação prossegue até sexta-feira com novos debates e oportunidades de conexão

O V END e o II EBHE continuam até 30 de outubro, com atividades dedicadas a temas que fazem parte dos principais desafios contemporâneos da Ciência da Água.

Na quinta-feira, 29, a programação prevê uma mesa-redonda sobre dimensionamento hidrológico e os desafios de aproximar avanços científicos da aplicação prática, além de apresentações de trabalhos e um Papo Extremo dedicado à Gestão de Risco de Secas.

Já na sexta-feira, 30, a discussão sobre justiça climática, vulnerabilidade das populações e formação de agentes de ação integra a programação de encerramento, acompanhada por novas sessões de trabalhos científicos. Ao longo dos cinco dias, o evento promove reflexões sobre extremos hidrológicos, prevenção de desastres, segurança hídrica, hidrologia estatística, planejamento, monitoramento, adaptação climática e vulnerabilidades socioambientais.

Mais do que apresentar resultados de pesquisas, a iniciativa fortalece redes de cooperação e aproxima diferentes instituições e gerações de profissionais comprometidos com o desenvolvimento de soluções para os desafios da água. Para a ABRHidro, a realização conjunta dos encontros reafirma seu compromisso com a circulação do conhecimento, o diálogo interdisciplinar e a conexão entre ciência, políticas públicas e sociedade.

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